Em 12 de fevereiro de 2026, a equipe de comissários de bordo da Air New Zealand deu início a uma greve de dois dias, devido à falta de progresso nas negociações contratuais. Isso levou ao cancelamento de 46 voos internacionais, afetando cerca de 9.500 passageiros.
A paralisação, que envolve os profissionais que atuam em voos de longa distância, está programada para continuar até 13 de fevereiro de 2026, após quase 10 meses de discussões sobre salários e condições de trabalho.
Conforme a Air New Zealand, os voos domésticos e regionais seguem operando normalmente, com ajustes nas programações e realocação de aeronaves, a fim de minimizar cancelamentos nas rotas para a Tasmânia e o Pacífico.
### Dificuldades Financeiras Acentuam a Greve
A greve é vista como um “último recurso” por parte dos comissários, que estão descontentes com a longa negociação. Rachel Mackintosh, secretária nacional do sindicato E tū, destacou que muitos das tripulações enfrentam dificuldades financeiras, tendo um salário base inferior a 60 mil dólares anuais. Isso, segundo ela, tem um impacto significativo, dificultando o acesso a empréstimos e hipotecas.
Mackintosh ressaltou a complexidade do trabalho dos comissários, que precisam lidar com crises, passageiros difíceis e garantir a segurança, enquanto o baixo salário base gera incertezas financeiras.
### Air New Zealand Responde às Críticas
A companhia aérea afirmou que propôs aumentos salariais entre 4,14% a 6,41% para o primeiro ano. Nikki Dines, diretora de pessoal, argumentou que focar apenas no salário base não fornece uma visão completa da remuneração. Segundo ela, a estrutura salarial dos comissários inclui pagamentos e subsídios adicionais, aumentando a remuneração total.
Dines também enfatizou que os salários acompanharam a inflação e que a abordagem da empresa garante um rendimento estável, embora reconheça que nem todos os funcionários estejam satisfeitos com essa estrutura.
### Reação da Companhia e Impacto sobre Passageiros
Jeremy O’Brien, diretor digital e de clientes, informou que equipes estão trabalhando incansavelmente para reduzir as interrupções e reacomodar os passageiros prejudicados. A companhia está se comunicando diretamente com os clientes, oferecendo alternativas de remarcação e reembolsos. O’Brien expressou pesar pelas complicações enfrentadas pelos viajantes, garantindo que suporte adicional, como alimentação e acomodação, está disponível quando necessário.
Durante a greve, a Air New Zealand também planeja manter serviços de carga para assegurar conexões essenciais para os exportadores da Nova Zelândia.
### Contexto Geral da Disputa
Esse conflito trabalhista acontece em um momento em que a Air New Zealand, assim como outras companhias aéreas globalmente, enfrenta desafios para equilibrar os custos operacionais e as expectativas dos funcionários, em meio ao aumento do custo de vida. O sindicato criticou os investimentos da empresa em novas infraestruturas, enquanto os trabalhadores lidam com pressões financeiras.
Dines defendeu esses investimentos como necessários para a competitividade da companhia, afirmando que modernizar aeronaves e instalações é vital para a eficiência operacional e geração de receita, que por sua vez financia salários e oportunidades de carreira.
Ambas as partes concordaram em participar de negociações facilitadas para resolver o impasse, embora ainda não exista uma data definida para esse encontro. A greve impacta somente os voos de longa distância, enquanto os serviços domésticos e regionais continuam a funcionar normalmente. A Air New Zealand aconselhou os passageiros com reservas em voos internacionais a manter seus dados atualizados para facilitar a comunicação durante a continuidade das negociações.

