Em 2025, aproximadamente 18,5 milhões de passageiros enfrentaram problemas com atrasos ou cancelamentos de voos superiores a três horas nos aeroportos do Brasil. Esse número corresponde a 18% do total de usuários da aviação comercial nesse ano, segundo um relatório da AirHelp, uma empresa global especialista em tecnologia de viagens.
Embora esse total seja 7% menor que o registrado em 2024, quando 19,9 milhões de pessoas foram impactadas (19% do total), os dados mostram que a melhoria se deveu mais à redução nos cancelamentos do que a avanços operacionais gerais. Em 2025, houve uma queda de 41% nos cancelamentos, afetando 2,7 milhões de passageiros, em comparação com 4,1 milhões no ano anterior. Por outro lado, o número de passageiros afetados por atrasos permaneceu estável, com cerca de 982 mil enfrentando atrasos de mais de duas horas, um nível similar ao de 2024.
Os dados ainda revelam a evolução do setor aéreo pós-pandemia. De 2022 a 2025, o número de passageiros afetados aumentou, passando de 13,3 milhões em 2022 para 19,9 milhões em 2024, antes de cair novamente para 18,5 milhões em 2025. Esses números refletem um crescimento do mercado, mas também indicam que a operacionalização e a pontualidade ainda buscam se adequar à demanda crescente.
O relatório também destaca que a pontualidade nos voos está interligada com a infraestrutura dos aeroportos. Guarulhos, em São Paulo, liderou em movimentação, recebendo mais de 21 milhões de passageiros em 2025. Apesar do alto fluxo, 77% dos voos de lá partiram dentro do horário, embora o aeroporto apresentou 22% de atrasos e 1,2% de cancelamentos. Por outro lado, Brasília teve um desempenho notável, com 88% de pontualidade, 10% de atrasos e 1,5% de cancelamentos.
Além de Brasília, os aeroportos de Fortaleza (86%), Campo Grande (85%), Salvador (85%), Santos Dumont (85%) e Cuiabá (84%) também se destacaram pela pontualidade. Essas instalações, devido a suas características operacionais e à gestão de fluxo, conseguem proporcionar uma experiência de viagem mais estável para os passageiros.
O relatório ainda revela que 2025 não foi um ano uniforme. Dezembro se destacou como o mês mais problemático, com 31% dos viajantes enfrentando atrasos ou cancelamentos, sendo o dia 10 o ápice, com 69% dos voos sofrendo interrupções. Em contraste, março apresentou um cenário mais calmo, com apenas 13% dos passageiros impactados.
Dentre as rotas analisadas, a ligação entre Palmas e Goiânia foi a mais pontual, com 97% dos passageiros chegando no horário. No extremo oposto, a rota entre Guarulhos e Munique apresentou 61% de passageiros afetados por atrasos, enquanto Porto Velho a Rio Branco teve a maior taxa de cancelamentos, atingindo 22%.
Esses dados indicam que, em rotas mais curtas e menos complexas, a previsibilidade é mais comum, ao passo que trechos mais longos podem enfrentar maior risco de atrasos. A diminuição de 7% no número de passageiros afetados é um sinal positivo, mas ainda não resolve os desafios enfrentados em um mercado movimentado. Em 2025, o Brasil teve cerca de 105 milhões de passageiros em aproximadamente 784 mil voos, mostrando um sistema ativo, mas que ainda enfrenta questões de pontualidade. Isso é relevante não apenas para a satisfação do consumidor, mas também do ponto de vista econômico, já que atrasos podem representar custos adicionais, tanto para os passageiros quanto para as companhias aéreas e aeroportos.

