Os pilotos da JetBlue Airways reagiram aos resultados financeiros aquém das expectativas no quarto trimestre de 2025, demandando progresso nas negociações coletivas que estão em andamento há bastante tempo, enquanto a companhia aérea vislumbra uma possível recuperação em 2026.
Neste período, a JetBlue reportou um prejuízo líquido de US$ 177 milhões, equivalente a US$ 0,48 por ação, aumento em relação ao prejuízo de US$ 44 milhões registrado no mesmo trimestre do ano passado. A companhia atribuiu essa situação à redução da capacidade e à queda de 1,5% na receita operacional, totalizando US$ 2,24 bilhões. Fatores como a instabilidade econômica e a demanda desigual foram mencionados como obstáculos para o retorno à lucratividade em 2025, embora os executivos tenham notado uma estabilização nas reservas no início do novo ano.
Em reação a esses resultados, os pilotos, representados pela Air Line Pilots Association, International (ALPA), emitiram uma declaração pública solicitando à administração que aproveite o bom desempenho dos funcionários para melhorar ainda mais os resultados financeiros. As negociações contratuais entre a JetBlue e a ALPA estão em andamento desde abril de 2024.
O capitão Wayne Scales, presidente do Conselho Executivo Master dos pilotos da JetBlue, destacou que os pilotos são fundamentais para a operação da companhia. Ele reafirmou o compromisso da equipe com a empresa, os clientes e a sustentabilidade a longo prazo da JetBlue. Scales também enfatizou que, embora os pilotos continuem a se empenhar pelo futuro da companhia, a má performance financeira não deve ser vista como um fato consumado e que o sucesso depende de um acordo que ofereça oportunidades de carreira e estabilidade a longo prazo para os pilotos.
Durante a teleconferência sobre os resultados, os executivos da JetBlue adotaram um tom cauteloso, mas otimista, prevendo um desempenho melhor em 2026, à medida que a demanda se normalize e o crescimento na capacidade seja retomado. O presidente da JetBlue, Marty St. George, afirmou que as reservas estão se aproximando de níveis normais de demanda, em contraste com a volatilidade observada em grande parte de 2025.
A companhia projetou um aumento nas milhas por assento de 2,5% a 4,5% para 2026, após uma queda de 1,6% na capacidade no quarto trimestre. Contudo, adiantou que os resultados do primeiro trimestre poderão ser impactados por interrupções causadas por tempestades de inverno e por fechamentos recentes no espaço aéreo caribenho devido a questões de segurança nos EUA.
As ações da JetBlue caíram mais de 8% após a divulgação dos lucros e registraram uma queda superior a 40% em relação ao ano anterior, refletindo a desconfiança dos investidores quanto ao ritmo de recuperação da companhia. Analistas destacaram pressões contínuas de custos, intensa concorrência em mercados chave e incertezas laborais como obstáculos para a empresa.
As relações de trabalho permanecem um ponto crucial enquanto a JetBlue busca estabilizar suas operações e restaurar a rentabilidade. A ALPA representa cerca de 4.700 pilotos da JetBlue e é um dos maiores sindicatos de pilotos do mundo, contando com mais de 80.000 membros nos EUA e Canadá.
A administração da JetBlue não forneceu comentários públicos sobre prazos contratuais específicos, mas os pilotos estão cada vez mais vinculando suas negociações à estratégia mais ampla da companhia, que busca fortalecer sua operação em Fort Lauderdale, Flórida. Essa expansão foi possível após a redução de capacidade da Spirit Airlines, que solicitou falência em 2025.
Executivos da JetBlue afirmaram que a companhia agiu rapidamente para aproveitar novas oportunidades no mercado sul da Flórida, especialmente no setor de voos internacionais. A saída da Spirit criou uma pressão competitiva menor em determinadas rotas, oferecendo à JetBlue uma vantagem potencial se a demanda continuar a aumentar.
Ainda assim, os pilotos alertaram que a estabilidade a longo prazo exigirá mais do que apenas ajustes na rede. Em sua declaração, a ALPA enfatizou que o envolvimento dos funcionários e a segurança contratual são componentes vitais para uma recuperação sustentável. Scales reafirmou: “Apesar de nosso comprometimento com o futuro da JetBlue, o sucesso duradouro depende da gestão de trazer seus pilotos à mesa com propostas que garantam progresso na carreira e segurança.”

