A autoridade antitruste brasileira concedeu aprovação ao plano da United Airlines para aumentar sua participação minoritária na Azul Linhas Aéreas, o que viabiliza um investimento de aproximadamente US$ 100 milhões relacionado à reestruturação em andamento da companhia brasileira sob o Capítulo 11.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica, conhecido como CADE, autorizou a transação sem imposições, conforme indicado em registros e comunicados da empresa. Com esta decisão, a United poderá elevar sua participação na Azul de cerca de 2% para quase 8% através da aquisição de ações recém-emitidas.
Esse investimento faz parte de uma iniciativa maior da Azul para reestruturar suas finanças de acordo com o Capítulo 11 do Código de Falências dos EUA, processo que a companhia iniciou em maio de 2025. Durante a reestruturação, a Azul manteve suas operações normais de voos, ao mesmo tempo em que buscou reduzir a dívida e melhorar a liquidez imediata.
No contexto do Capítulo 11, a Azul planeja arrecadar novos fundos por meio de uma mescla de ofertas públicas e investimentos estratégicos, incluindo o aporte da United, com o intuito de auxiliar na diminuição da dívida e aumentar a liquidez enquanto se prepara para sair do processo de falência.
A United já é acionista minoritária da Azul desde 2015 e possui uma longa relação comercial com a companhia, incluindo acordos de codeshare e cooperação. O aumento na participação fortalece essa parceria, mas ainda não chega a representar controle, o que foi avaliado pelos reguladores no processo antitruste.
A Azul se destaca como a terceira maior companhia aérea do Brasil, operando uma frota diversificada que representa seu modelo de negócios híbrido. A empresa utiliza Airbus A330 em rotas internacionais, além de Airbus A320neo e A321neo em voos domésticos de alta densidade, jatos Embraer E195 e E195-E2 em sua rede regional, e aeronaves menores como o turbopropulsor ATR e Cessna Caravan para atender comunidades menores.
Recentemente, a empresa tem enfrentado desafios financeiros persistentes, influenciados por obrigações de arrendamento em dólares, aumento dos custos de combustíveis e flutuações cambiais, problemas que afetam grande parte do setor aéreo brasileiro. O plano de reestruturação da Azul envolve a devolução de várias aeronaves aos arrendadores, renegociação dos termos de arrendamento e a emissão de novos capitais, o que resultará na diluição dos acionistas atuais.
Executivos da Azul afirmaram que a expectativa é finalizar sua saída do Capítulo 11 no início de 2026, após a votação dos credores e a aprovação judicial do plano. A autorização para o aumento da participação da United elimina um entrave regulatório significativo e traz mais clareza em relação à estrutura de propriedade da companhia aérea após a reestruturação.

