A Avelo Airlines decidiu encerrar sua participação nos voos de deportação para o governo dos EUA, encerrando um capítulo polêmico na história da companhia aérea de baixo custo.
A transportadora, que opera a partir de Mesa, Arizona, fechará essa base em 27 de janeiro de 2026 e deixará de realizar os voos fretados pelo Departamento de Segurança Interna, conforme anunciado pela empresa. Desde 2021, a Avelo prestou serviços de deportação para o Departamento de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) através da CSI Aviation.
De acordo com a companhia, o programa trouxe benefícios imediatos, mas não gerou a receita suficiente para justificar sua complexidade e custos associados. Essa escolha representa um desvio estratégico em relação a uma linha de negócios atípica para uma companhia aérea comercial. Os voos de deportação costumam ser realizados por operadores charter, em geral fora do olhar público. A Avelo destacou-se como uma das raras companhias aéreas a reconhecer abertamente suas operações de remoção.
A parceria com o ICE foi divulgada pela primeira vez em abril de 2025, quando a Avelo afirmava que o contrato ofereceraria uma base financeira sólida e suporte ao crescimento. A empresa utilizou três Boeing 737-800 para as operações.
Contudo, a decisão rapidamente gerou críticas de legisladores, autoridades locais e grupos de direitos humanos. Embora a Avelo tenha garantido que essas atividades não impactaram a demanda de seus passageiros, seu CEO, Andrew Levy, admitiu posteriormente que as operações a colocaram no centro de uma controvérsia política.
Atualmente, a companhia aérea afirma que os desafios enfrentados eram mais de natureza econômica do que política. A realização dos voos de deportação exigia aeronaves específicas, programação diferenciada e tripulação que se desviava enormemente do modelo de negócio focado em lazer da Avelo. Para uma transportadora de pequeno porte, direcionar aeronaves para essas operações diminuiu a flexibilidade operacional.
A decisão de cancelar o contrato ocorre em um momento em que a Avelo está reformulando sua estratégia geral. A empresa informou que se recapitalizou e encontra-se em uma posição financeira mais robusta do que no ano passado, permitindo que retome o foco em seu core business e fortaleça seu balanço.
Nesse processo de redefinição, a Avelo planeja concentrar suas operações em quatro hubs: New Haven (Connecticut), Wilmington (Delaware), Charlotte (Carolina do Norte) e na Flórida Central. Uma nova base será inaugurada em McKinney, Texas, ainda neste ano, enquanto as bases em Raleigh-Durham e Wilmington, Carolina do Norte, serão encerradas. O fechamento da base em Mesa está diretamente relacionado ao término das atividades com o ICE.
Além disso, a companhia está considerando possíveis cortes de empregos à medida que realoca tripulantes para outras bases. A empresa declarou que a situação das licenças profissionais permanece dinâmica, e o sindicato dos comissários de bordo comemorou a decisão de finalizar os voos controversos, expressando a esperança de um futuro mais estável para os seus membros.
O término do contrato de deportação também se dá em um cenário onde a Avelo enfrenta desafios em algumas de suas rotas tradicionais. Levy já havia mencionado que o desempenho em New Haven, uma das bases iniciais da companhia, enfraqueceu devido ao aumento da concorrência. A transportadora também abandonou a Costa Oeste no ano passado, fechando sua base em Burbank após dificuldades para se estabelecer na região.

