Em 27 de janeiro de 2026, o National Transportation Safety Board (NTSB) conduziu uma audiência em Washington, DC, com o objetivo de formalizar suas conclusões sobre a causa provável do trágico acidente aéreo envolvendo um CRJ700 da PSA Airlines e um helicóptero Black Hawk do Exército dos EUA, ocorrido próximo ao Aeroporto Nacional Reagan (DCA). A investigação revelou que uma série de falhas sistêmicas, e não um único erro, foi responsável por um dos mais graves acidentes aéreos dos últimos 20 anos nos Estados Unidos.
A colisão, que aconteceu em 29 de janeiro de 2025, resultou na morte das 67 pessoas a bordo das duas aeronaves, incluindo passageiros e tripulantes. Entre os falecidos, 28 eram membros da comunidade de patinação artística, que retornavam de um campo de desenvolvimento em Wichita, Kansas, acompanhados por suas famílias.
No decorrer da audiência pública, o NTSB atribuiu a responsabilidade a uma série de questões relacionadas à concepção do espaço aéreo, à falta de supervisão adequada, bem como a deficiências no controle do tráfego aéreo, isentando os pilotos do CRJ700 de culpa.
A presidente do NTSB, Jennifer Homendy, afirmou: “Esse acidente poderia ter sido evitado”, destacando a existência de riscos conhecidos que não foram devidamente abordados ao longo dos anos.
O que ocorreu
Na noite do acidente, o voo 5342 da PSA Airlines, vindo de Wichita, havia sido autorizado a aterrissar na pista 33 do Aeroporto Nacional Ronald Reagan. Ao mesmo tempo, um helicóptero UH-60 Black Hawk voava em uma rota designada ao longo do rio Potomac.
As investigações revelaram que o helicóptero estava voando mais alto do que o permitido, colocando-se em rota de colisão com o jato. A tripulação do helicóptero solicitou e recebeu separação visual do jato, uma ação que, segundo o NTSB, não deveria ter sido aprovada nas circunstâncias do momento.
O controlador responsável pelo tráfego, encarregado de monitorar as aeronaves, não emitiu alertas de segurança e não informou a tripulação da PSA sobre a posição do helicóptero, agravando a situação. Segundo o NTSB, a carga de trabalho do controlador aumentou consideravelmente, e uma cultura de “fazer funcionar” levou à normalização de práticas inseguras em um espaço aéreo muito congestionado.
As duas aeronaves colidiram durante a noite e mergulharam em águas geladas, resultando em nenhuma sobrevivência.
O NTSB concluiu que o acidente foi resultado de múltiplas falhas por parte de várias organizações, incluindo a Administração Federal de Aviação (FAA), o Exército e as operações de controle de tráfego aéreo no local.
Os investigadores notaram que o projeto do espaço aéreo permitia que as rotas dos helicópteros ficassem perigosamente próximas das rotas de chegada dos jatos, em alguns casos com apenas 75 pés de separação vertical. Apesar de dados históricos evidenciando conflitos frequentes entre helicópteros e aviões comerciais, a FAA rejeitou repetidamente recomendações para redesignar essas rotas.
Falhas sistêmicas
O NTSB constatou que os controladores estavam excessivamente dependentes de separação visual, ainda mais em um espaço aéreo denso e à noite, onde a visualização de outras aeronaves é difícil. No momento do acidente, o controlador estava gerenciando uma mistura de tráfego aéreo e de helicópteros sem as devidas salvaguardas, o que prejudicou a consciência situacional em um momento crítico.
Um fator que aumentou o risco foi a falta de transmissão da posição do helicóptero pelo sistema ADS-B, limitando a informação disponível para controladores e outros pilotos. Os investigadores também destacaram a falta de coordenação e compartilhamento insuficiente de dados de segurança entre a FAA e o Exército, resultando em riscos conhecidos sem solução.
Durante a audiência, foi enfatizado que a tripulação da PSA Airlines cumpriu todos os procedimentos e não recebeu informações que lhes permitissem evitar a colisão.
Mudanças em andamento
Em resposta ao acidente, a FAA decidiu encerrar permanentemente a rota do helicóptero envolvido, exceto para operações essenciais limitadas. A agência também diminuiu as taxas de chegada ao Reagan National e aumentou o número de funcionários na torre de controle.
Embora o NTSB reconheça que essas medidas são necessárias, ressaltou que deveriam ter sido tomadas antes. Além disso, a proposta de Lei ROTOR, que está em trâmite legislativo, obrigaria helicópteros militares e governamentais a utilizar e manter ativados equipamentos ADS-B no espaço aéreo compartilhado, o que poderia ter evitado a colisão com alertas até um minuto antes do impacto.
O Departamento de Justiça já reconheceu a responsabilidade federal no caso, apontando falhas em cumprir os deveres básicos de segurança.
Os membros do NTSB alertaram que os problemas que levaram ao acidente não são exclusivos de Washington, e outros aeroportos com tráfego misto enfrentam riscos semelhantes se as falhas sistêmicas permanecerem sem correção.
O NTSB deverá publicar seu relatório final completo nas próximas semanas.

