Os valores das ações das companhias aéreas têm enfrentado sério impacto desde o início das ações conjuntas dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro de 2026. Investidores reavaliam a combinação de custos elevados do combustível de aviação com a interrupção das operações no Oriente Médio, resultando em rotas mais longas, cancelamentos e incertezas na demanda.
Recentemente, as ações de grandes companhias aéreas globais sofreram quedas significativas, com algumas transportadoras registrando perdas de um dígito a até dois dígitos em um único dia. A Qantas, por exemplo, viu suas ações despencar em mais de 10%, enquanto vários grupos europeus enfrentaram uma redução aproximada de 5% ou mais, à medida que os preços do petróleo subiram e as perspectivas para o setor se tornaram mais nebulosas.
A British Airways, por ser parte da International Airlines Group (IAG), não é negociada de forma isolada. Desde o final de 27 de fevereiro, as ações da IAG caíram cerca de 12%, com variações acentuadas diariamente, à medida que investidores consideraram a pressão sobre os preços do combustível e a possibilidade de interrupções operacionais.
Os preços do combustível de aviação atingiram níveis recordes, com os mercados spot exibindo prêmios consideráveis em relação ao petróleo bruto, afetando rapidamente as margens das companhias aéreas, especialmente aquelas com menor cobertura. Embora algumas empresas tentem mitigar o impacto ajustando rotas e horários, a tendência do mercado tem sido de queda generalizada das ações, refletindo uma resposta global às flutuações do petróleo e ao crescente risco geopolítico.
Após o início do conflito com o Irã, as ações das companhias aéreas americanas experimentaram uma queda drástica. À medida que os preços do petróleo Brent aumentavam, os investidores começaram a se preocupar com potenciais interrupções nas viagens para o Oriente Médio. Até 5 de março, as ações de grandes companhias aéreas dos EUA continuavam abaixo dos níveis de fechamento de 27 de fevereiro, com Delta Air Lines caindo cerca de 7%, United Airlines cerca de 10%, American Airlines em torno de 10%, Southwest também em torno de 10%, Alaska Air Group caindo cerca de 15% e JetBlue perdendo cerca de 17%.
O ETF Global Jets (JETS), que serve como referência para ações do setor aéreo, também recuou cerca de 8% em relação ao fechamento de 27 de fevereiro, acompanhando a tendência de baixa do setor.
A maioria das principais companhias aéreas do Oriente Médio não divulga relatórios diários sobre suas ações, já que não são empresas de capital aberto. Emirates, Qatar Airways e Etihad são operadas pelo governo, o que impede a existência de cotações no mercado que possam ser usadas como indicativo em tempo real.
Os investidores costumam tratar as companhias aéreas como um setor macro único, visto que o custo do combustível de aviação é uma das principais preocupações e as companhias não conseguem ajustar rapidamente os preços das passagens diante de aumentos abruptos nos custos de energia. O impacto nos lucros geralmente é imediato, seguindo-se a diminuição da demanda proporcional à preocupação dos consumidores em relação às notícias.
Além disso, as operadoras com balanços financeiros mais frágeis ou menos flexibilidade operacional são frequentemente as mais penalizadas em momentos de incerteza, o que justifica as quedas acentuadas da JetBlue e da Alaska em comparação com as grandes companhias.
Se os preços do petróleo e do combustível de aviação continuarem a subir, as companhias aéreas podem enfrentar um aumento considerável nos custos. Esse cenário é acompanhado por riscos de interrupções nas operações, mudanças de horários e uma demanda em declínio, levando as ações do setor a um risco maior de queda nas principais praças de negociação, especialmente com a intensificação do conflito no Irã, que pressiona ainda mais os custos e gera novas incertezas nas perspectivas de viagem global.

