Um homem de 38 anos, residente no Reino Unido, recebeu uma sentença de mais de quatro anos de prisão por ter liderado uma fraude de 52 milhões de dólares (aproximadamente 39,3 milhões de libras) relacionada à venda de peças de aeronaves comerciais fraudulentas para companhias aéreas internacionais.
Em 23 de fevereiro de 2026, o Serious Fraud Office (SFO) do Reino Unido informou que, após confessar sua culpa no Southwark Crown Court, em Londres, em 1 de dezembro de 2025, Jose Alejandro Zamora Yrala, diretor da AOG Technics, foi condenado a quatro anos e oito meses de reclusão.
A investigação do SFO, iniciada em outubro de 2023, revelou que Zamora vendeu mais de 60.000 peças de motores de aeronaves, somando 9,3 milhões de dólares (cerca de 6,9 milhões de libras), utilizando Certificados de Liberação Autorizada (ARCs) falsificados.
Os clientes da AOG Technics incluíam companhias aéreas, operadores de manutenção e fornecedores de peças. A maior parte dessas peças era destinada aos motores CFM International CFM56, comumente usados em aeronaves como Boeing 737 e Airbus A320, amplamente utilizados por diferentes companhias aéreas.
Conforme informado pelo SFO, a operação da AOG Technics foi interrompida em 2023, após uma companhia aérea contatar a Safran, responsável conjunta pela CFM International, para verificar a autenticidade de uma peça.
A Safran confirmou a falsificação do certificado e alertou as autoridades, levando a Agência de Aviação Civil do Reino Unido, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos e a Agência de Segurança da Aviação da União Europeia a emitirem alertas sobre todas as peças da AOG Technics.
Como resultado, várias aeronaves em todo o mundo foram obrigadas a aterrissar, enquanto as companhias aéreas realizavam verificações urgentes das peças para evitar problemas de segurança que pudessem afetar suas operações.
Entre as companhias aéreas impactadas pelo escândalo estavam Delta Air Lines, American Airlines, Southwest Airlines, TAP, Ryanair, WestJet e Virgin Australia. O SFO estimou que o impacto financeiro dessa fraude causou perdas superiores a 39,3 milhões de libras para empresas como American Airlines e Ethiopian Airlines, além de diversos fabricantes.
Durante a execução da fraude em seu escritório, Zamora modificou ARCs legítimos e criou documentos falsos que davam a impressão de que a AOG adquirira peças diretamente de fabricantes renomados, como a Safran. Ele também fabricou funcionários fictícios, levando os clientes a receber e-mails e documentos assinados por gerentes de vendas e qualidade que não existiam, com o objetivo de criar uma imagem de um negócio operacional legítimo.
Em outubro de 2023, a CFM International identificou 126 motores que poderiam estar equipados com peças documentadas de forma fraudulenta. A análise indicou que a maioria dessas peças envolvidas eram componentes não identificados, como parafusos, porcas, anilhas e vedantes, e não havia conhecimento de documentação falsa relacionada a peças com vida útil limitada.
Emma Luxton, Diretora de Operações do SFO, comentou que a operação de Zamora colocou em risco a segurança pública de uma maneira alarmante. Ela expressou orgulho pelo trabalho realizado para levá-lo à justiça e desmantelar essa atividade criminosa rapidamente.

