Todos os setores mostraram um crescimento anual, ainda que modesto, com incrementos de um dígito. Destaca-se a Aviação Comercial, cuja carteira de pedidos teve um aumento de 42% em comparação a 2024, totalizando US$ 14,5 bilhões, conforme relatam os analistas André Mazini, Kiepher Kennedy, Piero Trotta e Philip Nielsen.
Entretanto, ao se observar a dinâmica trimestral, os números apresentaram “resultados mistos”. A Embraer somou 23 aeronaves E195-E2 e quatro E175 para a Air Côte d’Ivoire. Contudo, esses avanços foram em parte cancelados pela renegociação de 21 E195-E2 com a Azul, resultando em uma redução de 5% na carteira de pedidos da Aviação Comercial após as entregas já divulgadas.
Apesar disso, a relação entre pedidos e faturamento (book-to-bill) continuou acima de 1 em todas as áreas, com 2,8 vezes na Aviação Comercial, 1,1 vez na Executiva e 1,4 vez na Defesa, indicando um potencial de aumento nas receitas nos próximos períodos.
Os analistas ressaltam que as entregas, divulgadas no início de janeiro, mostraram um desempenho “consistente”. No segmento de Aviação Executiva, foram entregues 55 jatos no trimestre, fechando 2025 bem próximo do teto estimado para o ano, com um total de 155 aeronaves (a previsão era de 145 a 155). Já na Aviação Comercial, foram 32 entregas no trimestre, totalizando 78 unidades no ano, chegando perto do limite inferior da projeção (77 a 85).
No setor comercial, o E195-E2 foi responsável pela maioria das entregas, com 15 unidades, o que sustenta a expectativa de crescimento nas receitas futuras. Na Aviação Executiva, os jatos leves se destacaram, com o Phenom 300 alcançando 23 entregas no período. No total, as divisões comercial e executiva contabilizaram 85 entregas no quarto trimestre, refletindo a melhora na capacidade produtiva da Embraer, resultado de investimentos em bens de capital nos anos recentes.
Além disso, o aumento da volatilidade no cenário geopolítico em 2026 pode beneficiar a divisão de Defesa, que teve um desempenho positivo no trimestre, com a entrega de seis aeronaves (2 KC-390 e 4 Super Tucano), conforme conclui o banco.
O Citi recomenda a compra das ações da Embraer (EMBR3) e estabelece um preço-alvo de US$ 77, o que representa um potencial de desvalorização de 3,6% em relação ao fechamento desta terça-feira na Nyse.


