Kenya Airways está passando por uma recuperação impressionante após um período desafiador em sua história. Em 2024, a companhia aérea reportou um lucro líquido de 5,4 bilhões de xelins quenianos (cerca de 42 milhões de dólares), um marco significativo, pois foi a primeira vez em mais de dez anos que registrou lucro, marcando uma reviravolta após anos de prejuízos consecutivos. Essa transformação foi impulsionada pelo projeto denominado Kifaru, que se concentra na excelência operacional, diversificação das fontes de receita e gerenciamento rigoroso de custos.
Para deixar para trás os anos de crise, a Kenya Airways lançou uma estratégia de expansão de frota com o objetivo de aumentar o número de aeronaves de 34 para 59 até 2032. A companhia também anunciou planos para arrecadar cerca de 500 milhões de dólares para financiar seu crescimento futuro. Em dezembro de 2025, a Kenya Airways solicitou autorização governamental para operar um pequeno hub secundário fora do Quênia, no aeroporto internacional de Kotoka, em Acra, Gana, com base de suas aeronaves Embraer E190.
Além de almejar tornar-se uma das principais companhias aéreas da África, a Kenya Airways planeja diversificar suas operações com o desenvolvimento de outras fontes de receita, como manutenção, reparo e capacitação, além de fortalecer sua divisão de carga aérea.
O final de 2025 foi um período marcante para a Kenya Airways, com a saída do CEO Allan Kilavuka após seis anos de liderança, durante os quais supervisionou a reestruturação da companhia. Ele foi sucedido por George Kamal, ex-diretor de operações, que assumiu como CEO interino.
Kamal, que possui vasta experiência na indústria, destacou a importância da Kenya Airways no contexto internacional e seu papel na conexão da África com o restante do mundo. Com a expectativa de se expandir ainda mais, a companhia atualmente serve mais de 45 destinos na África, além de voos para Paris, Londres e Nova Iorque, que são cruciais para o transporte de carga.
Em uma conversa sobre o futuro da companhia, Kamal enfatizou a intenção de facilitar o acesso a viagens aéreas para todos os segmentos da população, buscando democratizar o acesso ao transporte aéreo. A isenção de visto para africanos e a facilidade de obtenção de autorização eletrônica para outros nacionalidades são um diferencial que ampliou a capacidade de atração de passageiros.
O projeto Kifaru, que se iniciou em 2020, busca não apenas a expansão da malha aérea, mas representa uma transformação abrangente na companhia. Kamal mencionou que, após momentos de ajuste e contenção, a Kenya Airways está avançando com vigor no mercado. Em 2024, a companhia registrou um EBITDAR positivo de 14,5 bilhões de xelins, o melhor resultado desde 2012, o que evidencia a recuperação da saúde operacional da empresa.
Entretanto, a primeira metade de 2025 trouxe desafios, com perdas relacionadas ao solo de três B787s, resultando em uma queda de 14% no número de passageiros. Kamal explicou que o desvio e a manutenção dos motores impactaram significativamente a operação.
A Kenya Airways também está buscando recuperar um Boeing 777 atualmente em leasing pela Turkish Airlines para melhorar sua capacidade operativa e atender à crescente demanda, especialmente em rotas lucrativas como as para Londres.
A companhia está ainda planejando expandir sua rede de voos de longo alcance assim que suas novas aeronaves se tornarem disponíveis, com a inclusão de novos destinos na Ásia e nos EUA, embora a maior parte da expansão ocorrerá no continente africano.
Kamal também mencionou a busca por diversificação das operações de carga, um setor importante para a Kenya Airways, que já opera um centro de carga dedicado no Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta. Este centro manuseia tanto a carga própria da companhia quanto de terceiros, enfatizando a relevância da carga aérea para sua estratégia futura.
Além disso, a Kenya Airways está desenvolvendo sua capacidade de MRO (manutenção, reparo e revisão), fortalecendo sua posição como líder no continente, com a construção de uma nova instalação de MRO para aumentar sua eficiência e alcance.
Ao mesmo tempo, a Kenya Airways está diversificando suas fontes de receita, investindo em serviços de atendimento em solo, hospitalidade e até mesmo na produção de água engarrafada, com planos para expandir suas operações em várias frentes, incluindo serviços médicos e turísticos.
Por fim, a Kenya Airways também está focada na excelência em treinamento, com planos de expandir suas operações na Pride Center, visando capacitar sua equipe e oferecer cursos adicionais em parceria com universidades internacionais. A companhia agora espera um futuro promissor, deixando as dificuldades para trás e avançando em direção a novos horizontes.


