Incidentes significativos entre aeronaves comerciais e tempestades são extremamente incomuns na aviação atual. Esse alto nível de segurança é alcançado através de protocolos estritos, sistemas avançados de monitoramento climático e a colaboração entre pilotos, meteorologistas e controladores de tráfego aéreo, desde a fase de planejamento do voo até a aterrissagem, conforme mencionado pela revista Popular Science.
A principal recomendação é evitar áreas com instabilidade sempre que possível. Quando isso não pode ser feito, são adotados procedimentos específicos para mitigar riscos, incluindo ajustes na rota, na altitude e na velocidade da aeronave.
Tipos de Tempestades e Seus Riscos
Nem todas as tempestades trazem o mesmo nível de perigo. De acordo com o Pilot Institute, as tempestades podem ser classificadas em unicelulares, multicelulares, linhas de instabilidade e supercélulas. As tempestades unicelulares costumam ser breves, enquanto as multicelulares podem durar várias horas e apresentar condições severas.
As linhas de instabilidade e, especialmente, as supercélulas representam desafios significativos para a operação. Essas formações podem gerar turbulência severa, granizo grande, tornados e cisalhamento do vento — que são mudanças rápidas na velocidade ou na direção do ar e que podem ser especialmente arriscadas durante decolagens e pousos. A visibilidade comprometida por chuvas fortes ou neve também aumenta o risco em momentos críticos do voo.
Planejamento e Decisões em Tempo Real
O piloto e escritor Patrick Smith, responsável pelo blog Ask the Pilot, salienta que não é prática comum atravessar tempestades. “Fazemos o possível para contorná-las. Quando necessário, a aeronave navega pelas bordas, mantendo uma distância segura”, afirmou em uma entrevista citada pela Popular Science.
O planejamento do voo começa antes da decolagem e envolve previsões detalhadas, imagens de satélite e análises meteorológicas constantes. Durante o voo, radares meteorológicos e sistemas de prevenção de tempestades ajudam a identificar a intensidade e movimentação das nuvens. As áreas de maior risco são sinalizadas em vermelho nos radares e devem ser evitadas, enquanto as regiões de menor risco aparecem em verde ou amarelo.
Em situações onde as condições climáticas mudam rapidamente, os pilotos podem solicitar desvios ou esperar por melhores condições, sempre em coordenação com controladores e despachantes. Sistemas automáticos, como alertas de cisalhamento do vento, auxiliam a tripulação durante decisões críticas, especialmente nas fases de aproximação e pouso.
Raios, Turbulência e Percepção de Risco
Embora muitos passageiros temam as descargas elétricas, elas raramente representam um risco real. Tom Bunn, ex-piloto e colaborador da coluna Ask the Pilot, explica que aeronaves comerciais são projetadas para suportar impactos de raios, que geralmente resultam apenas em um estrondo ou um pequeno clarão.
Especialistas afirmam que o medo de acidentes durante tempestades é muitas vezes exacerbado por representações dramáticas na mídia. Na realidade, os danos mais comuns incluem amassados devido ao granizo, que aumentam os custos de manutenção, mas não comprometem a segurança do voo.
Conforme destaca Patrick Smith, o elemento crucial é o uso de informações em tempo real e a colaboração contínua entre os profissionais envolvidos. Assim, mesmo diante de condições meteorológicas adversas, a aviação comercial mantém os riscos sob controle, fundamentando-se em tecnologia, treinamento e protocolos bem estabelecidos.

