Os lançamentos espaciais comerciais deixaram de ser uma atividade exclusiva de áreas remotas e agora acontecem com frequência em portos espaciais nos Estados Unidos, impactando também o espaço aéreo civil. Essa mudança levou a Administração Federal de Aviação (FAA) a emitir um novo Alerta de Segurança destinado a operadores, orientando pilotos e departamentos de voo a estarem preparados para interrupções mais frequentes.
O comunicado, denominado SAFO 26001, menciona os riscos associados ao espaço aéreo e aos detritos que podem ser gerados durante os lançamentos e reentradas. A FAA destacou que a integração segura das missões espaciais com a aviação convencional exige uma coordenação minuciosa, planejamento prévio, consciência situacional durante os voos e uma rápida resposta por parte de pilotos e controladores em caso de alterações nas condições.
Essas preocupações são concretas. Em março de 2025, um teste do SpaceX Starship resultou na dispersão de destroços durante a ascensão, o que levou a FAA a acionar protocolos de emergência. Isso resultou no redirecionamento de aeronaves e na interrupção de voos em vários aeroportos da Flórida, afetando cerca de 240 voos enquanto o risco era avaliado. Esse incidente ilustra como uma falha durante um lançamento pode rapidamente impactar o tráfego aéreo nacional.
Atualmente, a FAA elabora um plano de gestão do espaço aéreo para cada lançamento, que pode incluir restrições temporárias, zonas de risco e, ocasionalmente, áreas específicas para resposta a detritos. As zonas de restrição são geralmente anunciadas antecipadamente via NOTAMs, especificando onde as aeronaves não devem operar durante as janelas de lançamento.
A FAA observou que essas zonas podem ser amplas, especialmente quando se trata de veículos de lançamento mais novos ou experimentais, que possuem trajetórias menos previsíveis. Foguetes de maior porte também requerem proteções mais elaboradas.
Dean Snell, gerente sênior de Serviços de Tráfego Aéreo da National Business Aviation Association, comentou que alguns lançamentos já impactam grandes áreas do espaço aéreo americano. Ele explicou que as áreas de restrição são definidas com base na previsibilidade dos veículos lançadores, salientando que os protótipos e os veículos em fase inicial de desenvolvimento geralmente exigem mais abrangência devido à incerteza quanto às suas trajetórias.
Além disso, Snell mencionou que as zonas para resposta a detritos são distintas: embora mapeadas previamente, elas só são ativadas se ocorrer um incidente. Ele acrescentou que mudanças climáticas que causem atrasos nos lançamentos podem levar ao cancelamento ou reativação dessas áreas sem aviso prévio.
A FAA aconselhou pilotos e planejadores a considerarem os lançamentos espaciais no seu planejamento diário, a revisarem atentamente os NOTAMs e a se prepararem para redirecionamentos, garantindo combustível suficiente para eventuais atrasos. Com a intensificação das atividades espaciais comerciais, a FAA alertou que as restrições no espaço aéreo em função de lançamentos estão se tornando uma ocorrência habitual na aviação nos EUA, e não uma situação rara.

