O piloto José Ribamar de Sá, de 73 anos, recebeu uma emocionante homenagem ao pousar no Aeroporto de Natal, marcando o fim de sua carreira após cinco décadas dedicadas à aviação.

Entre os passageiros do seu último voo estavam seus três filhos, dos quais dois também são pilotos, e sua esposa. A escolha de Natal para essa despedida foi especialmente simbólica, pois foi nessa cidade onde ele deu início à sua trajetória como aviador e decidiu estabelecer residência.

“Solicitei à companhia que meu último voo fosse aqui em Natal. Foi aqui que comecei, e é aqui que finalizo”, compartilhou o comandante.

José Ribamar relatou que a emoção o acompanhou desde o briefing com a tripulação, onde anunciou que estava se despedindo. “Disse a eles: ‘Hoje [na terça-feira passada] é meu último voo. Estou me despedindo de vocês e da Gol Linhas Aéreas’. A comissária não conseguiu segurar as lágrimas, e a emoção tomou conta de todos”, lembrou.

Ao aterrissar em Natal, ele teve um momento especial junto à família, que também o acompanhou na viagem de Guarulhos (SP) até a capital potiguar. “Foi uma grande satisfação encerrar minha carreira transportando minha família, na aeronave que pilotei pela última vez”, disse.

A administração do aeroporto, o Corpo de Bombeiros e a torre de controle prestaram homenagens ao piloto. “Foi uma experiência fantástica. Na descida do avião, o número de pessoas nos aguardando foi incrível. Tudo foi maravilhoso”, comentou.

“Fechei minha trajetória na aviação comercial com chave de ouro”, concluiu.

José Ribamar estima que acumulou cerca de 30 mil horas de voo na aviação comercial, tendo realizado voos internacionais por 30 anos, com alguns durando até 12 horas. Ele destacou que sua carreira foi repleta de segurança, sem grandes incidentes, exceto por uma situação curiosa no início, quando um motor falhou durante um voo solo. “Tive que pousar o avião com o motor desligado. Escolhi uma plantação de cana-de-açúcar para aterrissar. Graças a Deus, estou aqui para contar essa história”, recordou.

Iniciando sua carreira na Força Aérea Brasileira como piloto militar em Natal, ele também trabalhou na aviação civil, incluindo a Transbrasil, e teve experiências em empresas na China e na Índia. Após retornar ao Brasil, trabalhou na Gol por quase 20 anos.

Embora tenha encerrado a carreira na aviação comercial, ele segue ativo, lecionando em uma escola de aviação em Natal, que forma pilotos e comissários, além de oferecer voos panorâmicos ao longo do litoral do Rio Grande do Norte. “Pendurei as chuteiras, mas continuarei jogando descalço”, brincou.

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