A indústria da aviação no Vietnã está se preparando para possíveis reduções de voos a partir de abril de 2026. Isso ocorre após a China e a Tailândia terem interrompido as exportações de produtos de combustível refinado, o que agrava a situação de um país que depende bastante de combustíveis importados para a aviação, aumentando o risco de interrupções nas redes aéreas nacionais e regionais.
De acordo com a Reuters, as autoridades vietnamitas alertaram as companhias aéreas sobre a necessidade de estarem preparadas para eventuais cortes, especialmente nas rotas internas, caso a oferta continue a diminuir. A crise no fornecimento de combustível reflete os impactos da guerra do Irã, que agora se estende além do Oriente Médio, afetando a aviação asiática por meio de uma combinação de restrições no abastecimento e aumento nos preços.
O Vietnã importa mais de 66% de seu combustível para aviação, sendo cerca de 60% dessas importações provenientes de China e Tailândia. Essa dependência torna o país especialmente vulnerável após os dois fornecedores terem imposto tais restrições.
Em um comunicado divulgada em 9 de março, a Autoridade de Aviação Civil do Vietnã apontou para riscos de escassez de combustível a partir de abril, recomendando que as companhias aéreas revisassem seus planos operacionais, especialmente nas rotas domésticas, e solicitando aos operadores de aeroportos que preparassem espaços adicionais para estacionamento de aeronaves. Essa diretriz indica uma preocupação séria com a possibilidade de algumas aeronaves precisarem ser temporariamente aterradas devido à falta de combustível.
Dois dos principais importadores de combustíveis do Vietnã, Petrolimex e Skypec, informaram aos reguladores que poderiam garantir o fornecimento somente até o final de março. A Skypec, em particular, pediu ao governo que limitasse o transporte aéreo às rotas essenciais, evidenciando como a situação pode rapidamente evoluir de um inconveniente comercial para uma emergência operacional.
A restrição de oferta deve-se especialmente a políticas adotadas pela China e pela Tailândia. A China implementou uma proibição imediata às exportações de combustíveis refinados, englobando gasolina, diesel e combustível para aviação, em março. Essa medida seguiu uma orientação anterior para que as refinarias não assumissem novos compromissos de exportação, visando preservar o abastecimento interno em meio a um choque energético relacionado ao conflito.
A Tailândia também impôs limitações nas exportações de produtos petrolíferos refinados, incluindo combustível para aviação, exacerbando ainda mais as dificuldades enfrentadas pelo Vietnã. De acordo com a Reuters, as autoridades vietnamitas buscaram ajuda diplomática com ambos os países. Em 15 de março, o Ministro das Relações Exteriores do Vietnã, Le Hoai Trung, contatou seu homólogo chinês, Wang Yi, solicitando uma colaboração para garantir a segurança energética. O primeiro-ministro Pham Minh Chinh também pediu à Tailândia que colaborasse na resolução da escassez durante um encontro com o embaixador tailandês no Vietnã.
A autoridade de aviação vietnamita mencionou possíveis fontes alternativas como Coreia do Sul, Japão, Brunei e Índia, embora reconheça a dificuldade de encontrar novos fornecedores nesse contexto atual. As refinarias locais enfrentam pressão para produzir outros tipos de combustíveis, limitando sua capacidade de aumentar rapidamente a produção de combustível de aviação.


