Após a colisão aérea em 2025 entre um jato regional e um helicóptero Black Hawk do Exército dos EUA próximo ao Aeroporto Nacional Ronald Reagan de Washington (DCA), a FAA implementará uma nova medida de segurança significativa. A partir de agora, a agência suspenderá a prática de separação visual entre aeronaves e helicópteros nas áreas de tráfego intenso e exigirá que os controladores aéreos utilizem a separação por radar.
A nova regra foi anunciada em 18 de março de 2026, pelo secretário de transportes, Sean Duffy, e pelo administrador da FAA, Bryan Bedford, e se aplica ao espaço aéreo Classe B e Classe C, assim como em zonas de serviço de radar terminal, onde helicópteros costumam cruzar rotas de chegada ou partida em aeroportos.
A medida surgiu após um estudo de um ano que se seguiu ao acidente de 29 de janeiro de 2025, em que um Black Hawk colidiu com o voo 5342 da American Airlines, resultando na morte de 67 pessoas. Desde então, a FAA tem reforçado a gestão do tráfego de helicópteros ao redor de Washington, D.C., além de rever a operação em outros aeroportos com intenso tráfego misto.
A mudança representa um avanço importante, uma vez que a FAA reconheceu uma dependência excessiva das práticas de “ver e evitar” em áreas com alto tráfego, onde helicópteros cruzam frequentemente as rotas de aproximação. Sob a abordagem visual, os controladores apenas sinalizam o tráfego próximo, permitindo que os pilotos gerenciem a distância visualmente, ao invés de manter o espaçamento padrão baseado no radar. A FAA considera essa prática inadequada em ambientes de tráfego intenso e agora exigirá que os controladores monitorem ativamente a separação por radar.
Dois incidentes recentes evidenciaram a urgência dessa mudança. Em 27 de fevereiro de 2026, um voo da American Airlines foi autorizado a pousar quando um helicóptero da polícia cruzou sua rota de aproximação, obrigando uma manobra evasiva. Outra situação ficou evidente em 2 de março, quando um Beechcraft 99 em aproximação ao Aeroporto Hollywood Burbank entrou em conflito com um helicóptero, exigindo alteração de curso. Embora esses incidentes não tenham resultando em tragédias, eles fortaleceram o entendimento da FAA de que o risco é abrangente e vai além da região de Washington.
Essa nova iniciativa também se alinha a um movimento mais amplo por segurança no Congresso, onde a Lei ROTOR, aprovada pelo Senado, seria aplicada para reforçar a utilização da tecnologia ADS-B e introduzir reformas cruciais com base nas conclusões do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB). Ao mesmo tempo, uma outra medida, a Lei ALERT, busca abordar todas as recomendações de segurança do NTSB resultantes do acidente no DCA.
Embora a recente mudança da FAA não esteja vinculada diretamente a essas propostas legislativas, ela avança na mesma direção, promovendo uma gestão mais estruturada do tráfego de helicópteros e aviões em áreas próximas a aeroportos movimentados. O Congresso segue debatendo a legislação relacionada ao incidente no DCA, com a Lei ROTOR tendo sido aprovada no Senado em dezembro de 2025, mas não tendo conseguido avançar na Câmara em fevereiro de 2026, após a retirada de apoio do Pentágono. Por sua vez, os legisladores na Câmara continuam a desenvolver a Lei ALERT, apresentada em fevereiro de 2026, como uma abordagem abrangente para atender às recomendações de segurança pós-acidente do NTSB.


