A aviação global alcançou marcos impressionantes em 2025, com 5,2 bilhões de passageiros transportados, resultando em uma receita recorde de um trilhão de dólares (aproximadamente 847 bilhões de euros). O setor também registrou um lucro estimado de 40 bilhões de dólares (cerca de 33 bilhões de euros), o que representa uma margem de 4%, um aumento em relação aos 3% do ano anterior.
Apesar desse crescimento expressivo na demanda, a indústria enfrenta desafios significativos, especialmente em relação à capacidade de produção de novos aviões. A previsão indica que a frota global de aeronaves deverá aumentar de 30 mil para 41 mil unidades na próxima década, conforme estimativas da consultoria Oliver Wyman.
Entretanto, a indústria passa por um período de atrasos na produção, que deve levar cerca de 12 anos para ser resolvedores. Atualmente, existem 17 mil encomendas pendentes e muitos dos aviões em operação estão envelhecendo, com uma idade média de 13 anos.
Segundo a Oliver Wyman, essa situação demonstra uma tensão estrutural existente desde a pandemia, pois a produção de novas aeronaves não consegue se igualar ao crescimento contínuo da demanda. A Europa destaca-se como o mercado com maior lucro líquido, enquanto o Oriente Médio lidera em margens de lucro, alcançando 9%. Por outro lado, a demanda nos Estados Unidos permanece estagnada, influenciada por incertezas políticas e problemas como a escassez de controladores aéreos.
A região da Ásia-Pacífico, por sua vez, experimentou o maior aumento na demanda, com crescimento de 8%, embora com margens de lucro inferiores. A Oliver Wyman alerta que a maior ameaça atual não é a demanda em si, mas a capacidade de atendê-la, uma vez que a carteira de pedidos saltou de 6 mil em 2019 para 13 mil em 2024.
Os obstáculos nas cadeias de suprimento estão reduzindo a produção anual de aeronaves, com uma estimativa de 6 mil unidades a menos até 2030. Apesar desses desafios, as perspectivas de longo prazo para o setor são positivas, prevendo-se um crescimento anual de 3,2% da frota global nos próximos dez anos, embora com um atraso de seis anos em relação às projeções anteriores à pandemia.
A Índia liderará o crescimento na próxima década, com uma taxa superior a 7%, seguida pelo Oriente Médio, que deve crescer a 5%. Na Europa Oriental o aumento será superior a 4%, enquanto a Europa Ocidental cresceria apenas 2%. A China se destaca em números absolutos, com um aumento significativo de aeronaves, especialmente os modelos de fuselagem estreita.
Em 2036, espera-se que o A320neo seja o modelo com maior demanda por manutenção, com o motor LEAP dominando o mercado. Ao mesmo tempo, a indústria enfrenta uma “crise de talentos”, uma vez que mais de 40% dos mecânicos certificados nos Estados Unidos têm mais de 60 anos, e estima-se que 45 mil profissionais se aposentem na próxima década. A falta de controladores aéreos é um desafio crescente na Europa.
De acordo com Carlos García Martín, especialista em aviação na Oliver Wyman, a indústria aérea está diante de uma demanda sem precedentes, mas com recursos limitados para atendê-la, evidenciando dificuldades causadas pela escassez de aeronaves, a velhice da frota e a falta de mão-de-obra qualificada, que influenciam as decisões estratégicas de companhias aéreas e fabricantes.


