A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos implementou uma nova norma que aumentará o tempo de retenção dos gravadores de voz da cabine (CVR) de duas horas para 25 horas. Essa mudança significativa visa evitar que gravações importantes sejam sobrescritas antes que os investigadores consigam analisá-las.
Para novas aeronaves comerciais, essa exigência começará a valer em 2027, fazendo com que os CVRs de 25 horas se tornem o padrão em novas entregas, em vez de uma opção adicional.
A FAA defende que o limite atual de duas horas já não reflete adequadamente a realidade dos incidentes, especialmente quando eventos são reportados tardiamente, como durante o táxi ou se a tripulação realiza voos adicionais antes de perceber a necessidade de salvar as gravações.
Essa ampliação do período de gravação é especialmente benéfica para as investigações, pois permite maior contexto e um prazo mais extenso. Com 25 horas de gravação, é possível capturar decisões e carga de trabalho que ocorrem antes de situações críticas, além de registrar ações e comunicações que se seguem a um evento. Essas informações são fundamentais para entender as razões subjacentes e fatores humanos. A norma também busca diminuir a incidência de casos em que as gravações não estão disponíveis devido ao sobrescrita.
Entretanto, essa mudança enfrenta algumas resistências. Sindicatos de pilotos e grupos trabalhistas consideram o áudio da cabine como uma questão delicada. Um período de gravação mais longo levanta preocupações sobre uso indevido, acesso e possíveis impactos na comunicação entre os membros da tripulação. A FAA menciona que já existem medidas para proteger as gravações do CVR, no entanto, é improvável que o debate sobre privacidade seja resolvido, especialmente com possíveis variações no manejo das gravações após serem devolvidas aos operadores.
Os custos envolvidos na modernização também são um aspecto significativo, especialmente para aeronaves mais antigas. Para novos modelos, a diferença no investimento para um CVR de 25 horas em relação a um de duas horas é geralmente considerada pequena. Contudo, a adaptação de aeronaves já em operação pode ser mais complexa e onerosa, dependendo dos requisitos de hardware, mão de obra e integração. A FAA tem sido cautelosa em exigir atualizações em toda a frota apenas por meio de regulamentações, embora já existam prazos de modernização previstos em leis para determinados operadores.
A harmonização internacional é um fator relevante nesse processo. Já existem regulações internacionais, como as da ICAO e de entidades europeias, que exigem CVRs de 25 horas para novas aeronaves. A norma da FAA aproxima os Estados Unidos dessa realidade, buscando reduzir as diferenças entre fabricantes e operadores globais.


