Imediatamente identificável, o avião é uma obra-prima da engenharia, apresentando uma fuselagem de geometria variável que permite ajustar a posição do “nariz” para otimizar seu desempenho. Essa aeronave tem a capacidade de voar a velocidades incríveis, atingindo o dobro da velocidade do som, ou cerca de 2.150 km/h, a uma altitude de 19.000 metros, e pode transportar até 100 passageiros.
Concorde: uma colaboração franco-britânica
O Concorde é o resultado de um acordo assinado entre a França e o Reino Unido em 29 de novembro de 1962, planejado para ser o primeiro avião civil supersônico, capaz de conectar continentes em um tempo recorde. Porém, o serviço para Nova Iorque só foi iniciado em 22 de novembro de 1977, com um tempo de voo de 3 horas e 30 minutos. Por trás dessa ousadia industrial, estavam desafios financeiros e tecnológicos significativos.
Seu desenvolvimento foi um verdadeiro laboratório de inovações. Foi necessário enfrentar problemas inéditos, como o design de asas delta em forma de triângulo, o nariz inclinado, os controles elétricos, o uso de materiais que suportassem altas temperaturas e sistemas de freio de carbono.
Um marco tecnológico, mas economicamente vulnerável
Apesar de seus avanços técnicos, o Concorde mostrou-se economicamente instável. Ele consumia praticamente a mesma quantidade de combustível que um Boeing 747, mas transportava cinco vezes menos passageiros, além de ter custos de manutenção elevados. O preço de um bilhete transatlântico variava de 8.000 a 10.000 euros. Utilizado apenas pela Air France e British Airways, tornou-se um símbolo de prestígio, atraindo políticos, celebridades e executivos. Há relatos, por exemplo, de Phil Collins fazendo uma travessia do Atlântico no Concorde para realizar dois shows no mesmo dia, um em Londres e outro em Filadélfia.
O ano de 2000: um ponto de inflexão crítico
Em 25 de julho de 2000, o orgulhoso símbolo da aviação civil franco-britânica sofreu um trágico acidente logo após a decolagem de Roissy, em Paris, ao colidir com um hotel em Gonesse, que resultou na morte de 113 pessoas. Esse incidente, juntamente com o aumento dos custos de manutenção e as repercussões dos ataques de 11 de setembro de 2001, levou ao fim de suas operações comerciais em 27 de junho de 2003. O que antes era um símbolo de prestígio se transformou em um fardo econômico, com a França e o Reino Unido enfrentando um gasto público estimado em cerca de 20 bilhões de euros, resultando em um retorno de investimento quase nulo.
Um legado significativo para a França
Atualmente, o Concorde é reconhecido como um patrimônio científico e técnico inegável. Dos 20 aviões construídos entre 1967 e 1979, 18 ainda existem e estão expostos em museus na França, no Reino Unido e nos Estados Unidos. Em maio passado, a França fez uma homenagem ao Concorde, classificando-o como monumento histórico, uma distinção inusitada para um avião.
O legado industrial do Concorde é enorme. As tecnologias desenvolvidas durante seu projeto foram aproveitadas em várias áreas, como na Airbus, nos trens de alta velocidade TGV, nos motores, nos materiais compostos, nos sistemas de freio, na simulação de voo e nos controles elétricos. Algumas inovações surgidas nesse contexto são até utilizadas em frigideiras Tefal.
O renascimento do voo supersônico é possível?
Apesar de o sonho do voo supersônico continuar a inspirar a indústria da aviação, é importante notar que a tecnologia avançou significativamente desde a época do Concorde, permitindo novos desafios em termos de redução do ruído e de impactos ambientais.
Empresas como a Boom Technology estão trabalhando para criar um “novo Concorde”, com seu protótipo XB-1 alcançando marcos notáveis. A NASA, em colaboração com a Lockheed Martin, também está desenvolvendo o X-59, um avião supersônico experimental projetado para minimizar o estrondo sonoro. O voo inaugural tão aguardado ocorreu em outubro passado, embora uma versão economicamente viável ainda não tenha sido alcançada.
Texto por Diane Burghelle-Vernet / 21 de janeiro de 2026, 10h10 GMT
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa – RTP


