A fabricante brasileira firmou uma parceria com o grupo indiano Adani para estabelecer a montagem de jatos na Índia, um movimento que destaca sua intenção de expandir sua atuação em um dos maiores mercados de aviação civil do mundo. Embora as estimativas para 2025 ainda não tenham sido reveladas, a empresa espera entregar entre 77 e 85 aeronaves nesse ano, superando as 73 do ano anterior. O novo acordo pode aumentar significativamente essa projeção.
Internamente, a Embraer considera a produção de 200 aeronaves como o mínimo necessário para justificar uma linha de montagem de aviões comerciais na Índia. A previsão é de uma demanda total de 500 aeronaves nas próximas duas décadas, com cerca de 300 unidades esperadas na próxima década.
Além disso, a companhia mostrará os modelos E195-E2 e E175 no Wings India 2026, que ocorrerá em Hyderabad a partir de 28 de janeiro. A Embraer já tem mantido diálogos com companhias aéreas indianas desde a reunião da IATA, onde o mercado local é predominantemente dominado pela Air India e IndiGo.
O grupo Adani, um dos maiores conglomerados privados indianos, abrange negócios em infraestrutura e energia, considerados fundamentais para a economia do país. Sob a liderança do bilionário Gautama Adani, o conglomerado participa de diversas áreas, incluindo portos, logística, geração de energia – com foco em renováveis –, e aeroportos.
O convite para o evento de assinatura do acordo, que ocorreu no Ministério da Aviação Civil em Nova Déli, ressaltou a importância desta parceria para o “Make in India”, uma iniciativa que visa atrair produção e empregos para o país.
A Índia se posiciona como um vibrante centro de oportunidades na aviação. Durante a assembleia anual da IATA em junho de 2025, o primeiro-ministro Narendra Modi enfatizou o compromisso do governo com o desenvolvimento da infraestrutura e conectividade. O plano é inaugurar 50 aeroportos até 2030 e fomentar a aviação regional através do programa UDAN, que estimula voos entre cidades menores, o que se alinha às estratégias da Embraer.
A Embraer inaugurou um escritório na Índia em outubro e tem destacado que sua presença no país ainda é limitada em comparação com o vasto mercado. Em entrevista, o CEO Francisco Gomes Neto apontou que, apesar das 50 aeronaves operando no país, esse número é pequeno diante do total de 4 mil jatos que estão em operação globalmente, sendo apenas 11 equipamentos comerciais.
A Embraer está focada em aviação comercial regional, um setor que considera subexplorado. Segundo a empresa, a Índia está em um momento em que a aviação regional se torna uma prioridade tanto por razões econômicas quanto por políticas públicas.
A fabricante tenta posicionar seus jatos em um segmento onde existe uma lacuna entre turboprops, que são menores e têm menor alcance, e aeronaves de maior capacidade. O modelo E175, com capacidade para aproximadamente 80 passageiros, é ideal para companhias que servem cidades menores. Já o E2, a nova geração da empresa, oferece maior eficiência e conforto para rotas maiores.
Gomes comentou que existem cidades pequenas que têm uma demanda que não preenche uma aeronave maior, e há regiões que necessitam de mais frequências diárias. Assim como no Brasil, onde a aviação regional tende a usar jatos menores e mais eficientes, a Embraer procura preencher essa demanda. O alcance dos turboprops é em torno de 500 km, enquanto os jatos da Embraer, como o E2, podem voar até 6.000 km, reduzindo substancialmente os tempos de viagem.
Especialistas avaliam que o potencial do mercado é uma nova alavanca para as ações da empresa, que já apresentam valorização significativa, com alta de 1064% nos últimos cinco anos. Desde abril de 2019, a Embraer é dirigida por Gomes, que enfrentou desafios, incluindo a desistência da Boeing em adquirir a unidade comercial e uma crise severa.
Em fevereiro de 2024, a Embraer assinou um memorando com a Mahindra Defence Systems para explorar oportunidades em programas de defesa do governo. Atualmente, a divisão de defesa é uma das mais promissoras da empresa, com expectativas de demanda mundial de 500 aeronaves do porte do KC-390. Estima-se que 23% dessa demanda venha da região Ásia-Pacífico, com a Embraer competindo para fornecer de 40 a 80 aeronaves de defesa para a Índia e também se interessando no mercado da Arábia Saudita.


