Mais de 2.000 voos foram cancelados no Oriente Médio devido ao fechamento dos espaços aéreos em decorrência do conflito no Irã. No último domingo (1), esse número representou aproximadamente 50% de todos os voos programados para a região, conforme informações da empresa de análise de aviação Cirium.
Esse colapso nas operações aéreas se deu no terceiro dia em que aeroportos e espaços aéreos permanecem fechados, relacionados ao aumento das tensões entre Israel, Irã e Estados Unidos. No dia anterior, os cancelamentos já atingiam cerca de 24% das operações programadas, demonstrando uma deterioração rápida na conectividade aérea.
### Escalada militar e suas consequências para a aviação
As restrições tiveram início após ataques das forças norte-americanas e israelenses contra alvos no Irã no sábado (28). Em retaliação, Teerã lançou mísseis em direção aos Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Jordânia e Kuwait, aumentando o risco para a aviação civil.
Como resultado, as autoridades de aviação decidiram fechar totalmente o espaço aéreo sobre o Irã, Israel, Iraque, Catar, Bahrein, Kuwait e Síria. Além disso, partes do espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita permanecem abertas, mas de maneira bastante restrita. Essa situação levou a um colapso temporário do tráfego aéreo em importantes hubs do Golfo, que normalmente servem como pontos de conexão entre Europa, Ásia e África.
A Qatar Airways, por exemplo, teve suas operações suspensas temporariamente em função do fechamento do espaço aéreo do Catar, e só deve retomar os voos quando a Autoridade de Aviação Civil do Catar sinalizar uma reabertura segura.
### Suspensão em grandes centros do Golfo
As principais companhias aéreas da região suspenderam a grande maioria de seus voos. A Emirates, que conecta São Paulo (GRU) e Rio de Janeiro (GIG), informou que suas operações em Dubai estarão interrompidas até terça-feira (3) às 15h (horário de Brasília). A Etihad Airways também paralisou suas operações até 14h do mesmo dia. A Qatar Airways, que realiza três voos diários para Guarulhos, só reiniciará os voos quando o espaço aéreo do Catar for reaberto. Por sua vez, a transportadora israelense El Al cancelou voos até quarta-feira (4).
### Restrição das operações internacionais
O impacto se estende além das companhias regionais, afetando rotas globais, especialmente as que ligam a Ásia e a Europa, frequentemente utilizando trajetos sobre o Oriente Médio. A Malaysia Airlines suspendeu voos para Doha, Jeddah e Madinah até quinta-feira (5), mantendo apenas operações para Paris e Londres. A Singapore Airlines e sua subsidiária Scoot também cancelaram voos para o Oriente Médio até sábado (7). Já a Cathay Pacific interrompeu operações para Riyadh e Dubai em diferentes datas até o dia 5.
### Alterações nas rotas e repercussões globais
Na Ásia Meridional, a Air India suspendeu voos entre a Índia e Emirados Árabes Unidos, Catar, Israel e Arábia Saudita até hoje (2) à meia-noite. A IndiGo também cancelou seus voos regionais até terça-feira e suspendeu temporariamente suas operações para a Europa.
Na Europa, a Lufthansa anunciou a suspensão de voos para várias cidades do Oriente Médio até domingo (8), e a Air France fez o mesmo com suas rotas para Tel Aviv e outras cidades. Além dos cancelamentos diretos, as companhias aéreas estão redirecionando suas rotas para evitar áreas de risco, o que resulta em aumentos nos tempos de voo e nos custos operacionais.
A prolongada interrupção do espaço aéreo no Oriente Médio impacta significativamente as cadeias logísticas, os voos de carga e as conexões intercontinentais.


