A Polícia Federal determinou a suspensão das gravações da oitava temporada do programa “Aeroporto Área Restrita” em todo o Brasil, alegando que as filmagens são incompatíveis com as normas que regulam as Áreas Restritas de Segurança nos aeroportos. A decisão impactou diretamente a produtora responsável pelo programa e gerou um impasse institucional envolvendo outros órgãos que atuam nos terminais aeroportuários.
De acordo com informações divulgadas, a produtora Moonshot teve credenciais cassadas em aeroportos estratégicos do país, como Viracopos, Galeão e Pinto Martins. A Polícia Federal entende que a presença constante de equipes de filmagem, câmeras e profissionais acompanhando fiscalizações pode comprometer procedimentos operacionais, expor métodos de atuação e violar protocolos internacionais de segurança aeroportuária.
As Áreas Restritas de Segurança são espaços de acesso controlado que incluem setores operacionais sensíveis, como áreas de inspeção, salas de controle, pátios, locais de fiscalização e pontos estratégicos de circulação de autoridades. Nesses ambientes, o registro de imagens é rigidamente limitado, justamente para evitar a exposição de rotinas, sistemas e procedimentos que poderiam ser utilizados de forma indevida.
A decisão da Polícia Federal causou atrito com a Receita Federal, que historicamente também participa das ações exibidas no programa e mantinha autorização para a presença das equipes em determinadas operações. O impasse evidenciou divergências sobre a interpretação das normas de segurança e sobre até que ponto produções audiovisuais podem acompanhar atividades de fiscalização em ambientes críticos.
Segundo a Polícia Federal, a medida não tem caráter censor ou direcionado ao conteúdo do programa, mas sim preventivo e técnico, visando preservar a integridade das operações aeroportuárias, a segurança de passageiros, tripulações e agentes públicos, além do cumprimento rigoroso das normas nacionais e internacionais de aviação civil. A instituição reforça que áreas restritas não são locais de livre circulação ou exposição midiática.
A produtora do programa, por sua vez, argumenta que as gravações sempre ocorreram com autorizações prévias e acompanhamento das autoridades, e que o conteúdo tem caráter informativo, educativo e de interesse público. Ainda assim, com a retirada das credenciais, as gravações ficaram inviabilizadas nos principais aeroportos do país.
O caso reacende o debate sobre os limites entre transparência, entretenimento e segurança. Especialistas em aviação e segurança aeroportuária destacam que, embora programas do gênero despertem interesse do público, a exposição excessiva de procedimentos operacionais pode representar riscos reais, especialmente em um cenário global de atenção elevada à segurança da aviação.
Até o momento, não há definição oficial sobre a retomada das gravações ou sobre eventuais ajustes que permitam a continuidade do programa dentro das normas exigidas. A Polícia Federal mantém a posição de que qualquer gravação em área restrita depende de critérios técnicos rigorosos e pode ser negada sempre que houver risco à segurança aeroportuária.


